Introdução
Há sessões na bolsa que se explicam, mas há sessões que se compreendem.
A última sexta-feira foi uma dessas. O S&P 500 evaporou cerca de $1,1 triliões num único dia. Não num mês, não numa semana. Num dia. Nasdaq em queda livre, Bitcoin caiu para a zona dos $79 mil dólares, Ethereum perdeu 4%. A prata desabou mais de 8%. E o ouro, esse velho refúgio que os manuais de finanças apresentam como um antídoto natural para épocas turbulentas, também cedeu à pressão.
E quando tudo cai ao mesmo tempo, a pergunta não é quanto se perdeu. É para onde foi o dinheiro.
Fuga ou saída ordenada?
A tentação, nestas sessões, é falar de pânico. Mas o pânico é desordenado. O que se passou na sexta-feira foi diferente, foi transversal em praticamente todas as classes de ativos.
Os mercados de criptomoedas descrevem cirurgicamente esta liquidação. 125 mil investidores foram liquidados num total de $426 milhões. Estamos a referir-nos a posições alavancadas a ser forçosamente fechadas por quem emprestou o dinheiro. Massivo.
Nos mercados tradicionais, o padrão foi o mesmo. Não houve qualquer rotação para ativos com risco inferior. Não foi um switch de tecnologia por dividendos. Saíram. Simplesmente saíram. De ações, de criptomoedas, de matérias-primas. Tudo ao mesmo tempo e pelas mesmas razões.
O suspeito do costume
A resposta mais óbvia está, como quase sempre, nas obrigações do tesouro norte-americano. A taxa de juro a dez anos subiu sete pontos base para 4,56%. A dos trinta anos acompanhou. A dos dois anos atingiu 4,06%, o valor mais alto desde março.
Isto merece uma atenção redobrada. Todo este capital à procura de um rendimento seguro. Perante a possibilidade de taxas de juro mais elevadas por mais tempo do que o mercado esperava, os fundos do mercado monetário e as obrigações de curto prazo tornaram-se um destino genuinamente atraente. E as obrigações de longo prazo, com as taxas atuais, podem ser suficientes para bater a inflação. É um risco real e avisa-nos que um rendimento certo e imediato pode ser mais ajustado para determinado perfil de investidor no curto prazo do que uma valorização num horizonte temporal mais longínquo.
O PPR SGF MoneyFlix também se ressentiu
Não queremos falar do nosso PPR apenas quando a Unidade de Participação ultrapassa um retorno de 12% em três meses. Queremos falar dele sempre.
E a nossa carteira não ficou imune. O PPR SGF MoneyFlix registou uma queda de 1,5% nesse dia, consequência directa e esperada de uma exposição maioritária a acções globais. Seria desonesto omitir isto.
Mas seria igualmente desonesto alarmar. Um produto desenhado para um horizonte de quinze ou vinte anos não se avalia numa sessão. Nem num mandato presidencial. As quedas fazem parte do percurso, e quem as conhece antecipadamente lida com elas com muito mais serenidade do que quem descobre esta verdade crua da pior forma. Como na sexta-feira passada.
A lição
Dias como este têm uma utilidade que os dias de alta não têm: revelam-nos correlações que por vezes a euforia não permite ver. Revelam que Bitcoin não é um instrumento de cobertura, caindo com as ações quando o apetite pelo risco desaparece, tal como aconteceu. Revelam que o ouro nem sempre funciona no curto prazo como nos habituámos a esperar. E revelam que, quando a incerteza atinge determinado limiar, o dinheiro prefere ativos mais aborrecidos.
As próximas semanas deverão responder a uma pergunta crucial: os dados de inflação e o discurso da Reserva Federal vão confirmar que os juros ficam altos por mais tempo? Dessa resposta depende muito do que se seguirá.
Vamos continuar a escutar com atenção. Convosco.
Notas
Este artigo tem carácter exclusivamente informativo e não constitui qualquer forma de recomendação de investimento. Investir em acções envolve risco de perda de capital. O desempenho passado não garante resultados futuros.
